quinta-feira, 28 de junho de 2007

Cobertor de Orelhas - Diana Corso

"Mas adoramos achar que decidimos livremente e de fato temos escolhas, nada nos impede de casar, separar, transar, ficar, morar junto. Somos livres dos grilhões visíveis, mas não dos invisíveis desígnios do inconsciente. O modo de amar é nosso sintoma mais difícil de debelar porque é o encontro de duas cabeças, que produzem uma sentença, que ambos juram que é do outro. Amar é terceirizar nossa neurose. O outro sempre nos influencia, não porque sejamos dóceis e manipuláveis, mas porque aproveitamos suas soluções para nossos problemas. Se o amado é autoritário, posso ser infantil, se é ciumento, posso ser promíscua pelo menos em sua fantasia, se é dependente, posso ser maternal, e assim por diante. A alienação amorosa é completa: não sabemos por que escolhemos alguém, ignoramos para que ele nos serve e ainda acreditamos que é dele que emanam nossas razões. E é justamente aí que mais fantasiamos estar escolhendo..."