
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
O irreal sou eu, você, nós

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Mas você também podia marcar outra hora para se enterrar!

- Meu querido, eu vou morrer! Morrer! Ai minha "tachicardia"! Me ajudem!
E a Jane não parava mais de se escabelar. Mais escândalo. Os óculos escuros dos presentes escondiam a tamanha vergonha que sentiam naquele momento. Jane continuou sua cena. Se sentindo a Baby Jane (se vocês não estiveram nos cinemas em 1962, não irão entender a comparação). Todos apreciavam a cena quando de repente surge uma senhora loira, olhos azuis, vestido vermelho. Bem bonitinha até.
- Vocês sabem colocar crédito no celular? É porque o moço da loja esqueceu de colocar sabe? E a TIM me roubou 10 reais de crédito, meus e do meu namorado!
- Mãs, mãs... eu só queria...
- AH VÁ COLOCAR CRÉDITOS NO NILO! NEM MARIA CALLAS SERIA CAPAZ DE TAL GAFE!
Marília Pêssego, completamente louca. E os presentes do enterro vão a loucura!A multidão que está fora do cemitério começa a se alvoroçar para ver quem está batendo boca com quem. A moça tenta se explicar e desta vez quem interrompe é Carlos, um parente do falecido:
- Minha Senhora, queira fazer o favor de se retirar. Aqui não é lugar para recarregar celular. Outra hora quem sabe.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Produção textual?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Presa no replay

domingo, 23 de dezembro de 2007
Salada de mau humores

I, a socialização: Tem coisa pior que dar três beijinhos? Porque diabos três? Poderiam ser dois, um ou nenhum! Que tal chegar num lugar anunciando "olá amigos meu nome é fulano de tal, prazer, sintam-se beijados e abraçados!"? Bem mais fácil. Desde que eu era piá, minha mãe quase me empurrava para cumprimentar as pessoas. Hoje este empurrãozinho não é mais preciso, porque sabe, eu penso que tenho sérios problemas de labirintite, pois eu vou para frente, quase caindo, automaticamente. Olha que maravilha!
II, praia: Areia, muita areia. Chegando ao ponto de parecer um kibe pronto para ser frito, aquelas crianças indo e vindo, o carrinho de sorvete, o milho verde e tudo mais. Vem o vento e desmarca a página que você estava lendo. Álias ler em praia, é só coisa de filme mesmo. O sol, aquele sol escaldante, as mulheres parecendo camarões tostados. Ai minha pele doí só de pensar. Chapéu de palha estilo "sou caipira como Eduardo Araujo" caem como luva nestes momentos.
III, interrupções: Faço cara feia quando minha mãe chega com a cara mais simpática do mundo anunciando qualquer coisa. Meu cérebro sofre um lapso e eu esqueço de tudo que estava pensando. Mas não serei mal agradecida, mamãe I love you e já vou tomar meu banho. Droga, ela foi na minha frente. Não pode entender que o amor a arte é maior do que o de ir cear na casa alheia.
IX, mosquitos: SAIAM DAQUI SUAS CRIATURAS PESTILENTAS! VÃO PICAR A LIA BISOL!
X, dormir e não ter sono: Tô tentando isso a dias e só consigo dormir com o dia amanhecendo. Vamos ver se dessa vez eu consigo.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Sur le pont d'Avignon, l'on y danse, l'on y danse (ou os paradigmas da comparação)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Santo de casa não faz milagre

Deus estava sentado lá em cima, conversando animadamente com Santo Antônio (o das causas impossíveis, esse mesmo):
- Mas Antônio, já tô cansado de mandar sinais lá pra baixo, ninguém quer me ouvir pô!
- Principalmente aquela menina...como é mesmo o nome dela?
- Amélia, acho que é isso que consta nos nossos arquivos.
- Bã chefe, essa garota está em todas as listasnegras aqui do Céu, caraca, o relatório mostrou mais de 200 falhas, desacato a autoridade...
- Antônio pare com essas gírias. Está falando como um morador de uma dessas favelas brasileiras.
- Desculpe Misericordioso Senhor. Isso não se repetirá.- É difícil tomar conta do mundo inteiro, mas nenhum lugar me traz tanto problemas como o Brasil ô povo difícil!
- Realmente Mestre, eles são indomaveis. Outro dia mandaram o Gabriel lá para baixo, pra ver se davam um jeito no tal de mensalão
- E o incompetente ficou por lá comendo pizza como Roberto Jefferson! Esses anjos estão cada mais corrompidos, caspite!
- Não é com o Roberto Jefferson, chefe. O nome do sujeito é Renan Calheiros.
- O que? É outro? Não sei quem mandar para proteger Brasília, não existe um que não volte com as asas viradas!
- Ainda bem que eu sou santo e só preciso descer em casos extremos.
- A última vez que você desceu não foi para ser canonizado?Quantos anos hein Antônio? Você está enferrujado há há há!
- Não Senhor, estou em plena forma. Mas em séculos passados as pessoas pediam coisas mais simples. Agora pedem automoveis importados, dinheiro, poder. Coisa dimais pra um santo só!Porque não pedem para casar? É tão simples.
- Porque você não vai perguntar isso para as pessoas?
- O Senhor que sabe tudo poderia me responder oras.
- Eu não sei de nada. Só fui incubido de tomar conta dessa gente irresponsável. Sou apenas um instrumento.
- Mas chefe e o seu filho abençoado, aonde ele está?
- O Jesus?
- Sim Vossa Santidade.
- Não quero que incomodem meu filho, ele tem coisas demais para se preocupar já. Veja bem Antônio, Jesus está lá embaixo dando dar jeito nessa algazarra. Agora mais precisamente, ele está lá na França tentando dar um jeito no Jacques Chirrac.
- Mas ele não havia se indireitado? A última vez que ele esteve por aí, atendendo a um chamado do Senhor, foi o que ele prometeu não foi?
- Era pra ser. Mas você sabe como são esses humanos, não tem palavra. Meus informantes disseram que ele está levando o seu país para o fundo do poço. Agora Jesus foi pra lá, dar um ultimato nele. Falando nisso Antônio, quais são as perpectivas para a proposta que fizemos a senhora Mathieu?
- A Senhora Mireille? Ah, ela está muito receosa em aceitar. Disse que está feliz na Alemanha, que ainda tem sua família e mesmo sendo exploradora ela quer ficar com eles. E só vem pra cá se o cachê for alto.
- Mas que velha mais atrevida! Eu sou Deus e mando nessa joça! Não se pode ser educado com essa gente, parece que falo catalão com eles! Agora querem cachês para virem para o céu, ora bolas!
- Pior que isso, só o caso da Madame Dietrich.
- Sim...aquela foi outra que demorou para ser dobrada. Vou ter que começara mexer meus pauzinhos.
Então interrompendo a conversa, uma terceira pessoa entra na sala, sem ser anunciada:
- Senhor, Senhor! Temos um problema!
- Que pecado é agora, hein Tiago?
- Ah Meu Lorde, problemas gravíssimos. A CPMF não foi aprovada no Brasil e já tem gente querendo partir pra faca, vão enfiar a faca nos cidadãos, agora claro de outro jeito.
- Antônio, o dever me chama. Você sabe, eu não posso ficar de bobeira esperando um milagre, mesmo que eu os possa operar. Depois conversamos melhor.
E Deus "desaparatou" entre as nuvens brancas e fofas como algodão doce.