
Má que ódio. Primeiro porque quero uma explicação lógica (e pode ser de Freud) , qual o motivo, razão, circunstância que não consigo escrever em primeira pessoa. Simples. É tão fácil: cutucar a vida alheia é bem mais fácil que fazer isso com a nossa própria. Mas aí chega uma hora que em você catucou tanto, que acabou, o buraco não era mais em cima? Chegou a hora de mergulhar dentro de si mesmo, o mais fundo que puder. Sem limites, percorrendo veias, artérias. Quero compartilhar com vocês, minha descoberta, eu estava em cima de um penhasco cantando "Rien De L'amour", o vento batia nos meus cabelos e a câmera girava quando fui transferida num plunt plact zum para a Argentina, olhei para o lado e vi alguém que queria ver muito ao meu lado, apontando-me os pontos turísticos da cidade. " Eu não sei nada de viagens, as pessoas vão e vem, nada de via lactea, nada nada" - eu só sabia dizer isso. E meu rosto enchia-se de alegria, mas.... um telefone começou a tocar! Ring ring why don't you give a call, nã nã? No dia em que fizer a lista das piores coisas, acordar para realidade será uma. Acho que ninguém gosta disso. É uma palavra banida do vocabulário, porque é so você falar que claro a realidade vem a tona. Então eu prefiro não falar. Faz tempo que ultrapassei o abismo entre o real e irreal.
Mas a realidade resolveu dar o ar de sua graça. E foi um guri que a encarnou, como mãe de santo. Proferindo estas palavras:
- Eu matei um cara. Com 25 facadas. Ele tinha estuprado minha mãe.
É, Dona Jessica você não está na França, não tem penhasco cantante, nem Buenos Aires. Tem Brasil, fome, desgraça, pizza com Renan Calheiros, fraude disso e daquilo. Não tem coisa pior que fome, acreditem.