sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Mas você também podia marcar outra hora para se enterrar!


Não era um dia feliz. O céu estava cheio de pássaros, uma enxurrada deles, como no filme de Hitchcoch. Justa-mente. De repente, como se o Google Earth estivesse parado no tal cemitério, as câmeras se focaram:

- Meu querido, eu vou morrer! Morrer! Ai minha "tachicardia"! Me ajudem!


E a Jane não parava mais de se escabelar. Mais escândalo. Os óculos escuros dos presentes escondiam a tamanha vergonha que sentiam naquele momento. Jane continuou sua cena. Se sentindo a Baby Jane (se vocês não estiveram nos cinemas em 1962, não irão entender a comparação). Todos apreciavam a cena quando de repente surge uma senhora loira, olhos azuis, vestido vermelho. Bem bonitinha até.


- Vocês sabem colocar crédito no celular? É porque o moço da loja esqueceu de colocar sabe? E a TIM me roubou 10 reais de crédito, meus e do meu namorado!



Silêncio constrangedor. A fúria de Marília Pêssego explode:


- CALA ESSA DROGA DESSA BOCA DE PRAGA! HISTÉRICA! PALHAÇA! TÁ PENSANDO QUE ISSO AQUI É CIRCO PRA FAZER SHOW?

- Mãs, mãs... eu só queria...

- AH VÁ COLOCAR CRÉDITOS NO NILO! NEM MARIA CALLAS SERIA CAPAZ DE TAL GAFE!


Marília Pêssego, completamente louca. E os presentes do enterro vão a loucura!A multidão que está fora do cemitério começa a se alvoroçar para ver quem está batendo boca com quem. A moça tenta se explicar e desta vez quem interrompe é Carlos, um parente do falecido:

- Minha Senhora, queira fazer o favor de se retirar. Aqui não é lugar para recarregar celular. Outra hora quem sabe.

E a moça dos créditos no celular retira-se do palco fúnebre. Vai embora, olhando para trás. Pronto senhor Padre, o cortejo pode continuar. O enterro continuou por algumas horas. E finalmente acabou. Dona Alice, uma parente do falecido indaga:

- E aí, Lúciana, vamos tomar uma ceva ali no bar?

- Cerveja? Não obrigada, eu não bebo.

- Ah vamos lá, nem que você fique nos olhando beber. - Carlos, o marido de Luciana manifestando-se na conversa.

- Um guaraná?

- NÃO, EU NÃO QUERO!

E saiu pensando em como essa gente, os seus parentes poderiam pensar em cerveja numa hora dessas. Malucos, só podiam ser.