quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sur le pont d'Avignon, l'on y danse, l'on y danse (ou os paradigmas da comparação)


Stop, Lajeado Tango monsieur! Vamos ladrilhar,são dois pra cá e dois pra lá. Lajeado é incrível como é a Avignon Rio- Grandense! Ok, eu que sei que vocês não sabem aonde fica Avignon, procurem no sul daFrança, um risco com uma ponte é Avignon. E Lajeado por sua vez é uma cidade bem bonitinha até, aonde a fofoca, o queijo e o salame imperam. Lembro-me até hoje de quando fui acusada de comer de graça no baile da terceira idade no clube da cidade. Eu lá tenho cara de ladra de comida de idosos? Heresia( meu pai estava no caixa e me dava as fichas para eu comer, alguma coisa anormal nisso?)! Claro que ninguém me acusou publicamente, foi a Verônica, uma senhora muito da esperta, supostamente amiga da minha vó. Depois deste episódio,é claro que ela não apareceu mais na casa da vó. Melhor para mim,que acordava as 10 da manhã (Meu Deus, como eu conseguia?) e levava meu sonzinho para fora de casa e ficava escutando Silvinha/Mutantes/velharias e creio que os vizinhos achavam que eu era uma espécie de ser extraterreste vindo da capital.

É que na época eu ainda não conhecia música alemã (ho-ho mas eu só conheço as que Mireille canta!) então não poderia me sentarna varanda e entonar "hinter den kulissen von Paris tãn tãn tãn" tamborilando os dedos na mesa como demoiselle d'Avignon. Álias as rádios que ouviámos por lá apenas tocavam essas bandas alemãs e digamos que eu nunca achei apreciável. O bom de você estar longe de casa e supostamente ninguém conhecer você (porque sempre tem alguém que conhece né?) é poder sair de vestido de bolinhas e tênis all star, como eu orgulhosamente fiz na noite do natal, porque não tinha sapatos para pôr. A situação estava pior que a dos Malpheguines (leiam Mon Credo que entenderão). Hoje sinto um chute no estômago cada vez que lembro disso. Não se pode culpar a pessoa pela falta de discernimento. Um dia quando estávamos viajando para lá, chovia torrencialmente.Um cachorro nos acompanhava na viagem e realmente fiquei profundamente enojada.O mundo estava para vir abaixo, mas eu apenas me importava com a integridade dos discos de vinil que levava no colo. De repente - depois de parar no acostamento- bum! O limpador de pára-brisa resolveu revoltar-se e simplesmente caiu do parabrisa. Viajando num fusca,vocês esperavam o que? Sem rádio, sem perspectiva e agora sem limpador de pára brisa. Achei que fóssemos encenar um filme de perdidos na estrada, mas tudo se estabilizou, ainda bem.

E o ruim é saber que apesar dos solavancos, das 4 horas de viagem, de ser mal alimentada e dos sabãos de glicerina com alguma coisa que minha vó fazia (que meu tio acidentalmente usou e caiu seus poucos cabelos), nunca mais poderei voltar lá.