terça-feira, 31 de julho de 2007

Águas De Março


Após celulares no viva voz terem sido desligados, uma hora de incessante viagem passando pela rodovia dos moteís, o portão não-lembro-a-cor abriu-se e nós entramos num Fiat Doblô azul 2004. Com muita classe, claro. E lá estava ele prostrado diante do jardim, parecendo aqueles flanelinhas (do country, só se for). Descemos do carro, eu sentindo minhas bochechas queimarem cada vez mais. Deu-me uma rápida olhada, de cima a abaixo, como quem analisa aprte por parte e disse:

- Mas é muito lindinha mesmo!

Não vou expressar meu ódio por diminutivos, mas posso muito bem expressar o cheiro de falsidade ue senti no ar naquele momento. Até porque, "lindinha" não era uma palavra cabível a uma criatura de 13 anos, 1.47 de altura. E foi com uma grande dificuldade, que esboçei um sorriso de contentamento. Beijou-a. Meu estômago deu um giro de 360 graus.

Então tá, 72 horas passaram-se lentamente, meu coração saltava cada vez que meu olhar se cruzava com o dele.Sentados frente a frente, as bocas cheias de feijão e farofa se encarando. Éramos somente nós e mais ninguém. As vezes, tornava-se tão insuportável,que olhar pro lado era a melhor solução. Mas não por muito tempo, pois logo após um prato de sobremesa era colocado a minha frente, obrigando-me a voltar a olhar para frente.

Deleitava-me de poder ficar admirando ao longe aquela criatura talvez vinda de outro mundo, coisas que quando se tem 13 anos não se sabe explicar ao certo. Nunca derramar um galão de água tornou-se tão divertido! Aquela água toda inundando a cozinha, então "manda baixa baixar um pano, rápido!" antes que alague tudo.

E pronto. Ele me conquistou. Dois anos depois, continua sendo o dono dos 90% dos meus pensamentos, em qualquer hora, here, there and everywhere.

Infelizmente, meu parceiro de conversa ficou estático em São Paulo.