
O caráter erotico de certas pessoas mexe com meu intuito. Iluminada por uma luz ora vermelha, ora laranja em tons psicodélicos, ela balança levemente os ombros ao som de um solo de guitarra. A voz está rasgada e ali não parece mais a mulher que outrora mascava um chiclete, estava de blusa azul cheia dos balangandãs e com aparência abatida. Agora é uma "femme" ardida feito pimenta, picante, mas saborosa. Ninguém está reparando, pois as bocas estão cheias de uma carne sangrenta e salada de batata. Um menino está perdido, ela o pega no colo e pergunta encarecidamente aonde a mãe do garoto se encontra. A cidadã depois de alguns minutos, aparece. Levantou o garoto como quem levanta um altar aos céus.
Eu, aqui no extremo do país, começo a andar pela casa para me acalmar com a visão que estou tendo deste espetaculo, frente aos meus olhos. Abro a geladeira e pego um copo de água e me sento para tentar assistir o resto. Não consigo. Levanto novamente. Fico neste vai e vem durante 20 minutos quando decido sentar pra valer. Vou assistir e ponto final! Não posso deixar de escrever, estou deleitada, extasiada com o que vejo. É como se todas os segredos das 4 paredes, estivessem ali estampados em seu rosto, nas suas expressoes altamente denotando sensaçoes que geralmente as pessoas preferem não comentar. Penso, que se estivesse realmente lá, minha miopia não iria deixar ver o que escrevo aqui.
Um par de pernas não atrai mais. E sim, um par de olhares. Agora está me fitando e novamente faz aquela cara de "e parecia-lhe que entrava numa existência superiormente interssante, onde cada hora tinha seu encanto diferente, cada passo conduzia um êxtase e a alma se cobria de um luxo radioso de sensaçoes." Santa de vontade de gira-la como se gira um catavento no ar.
Vou calar-me. Seria anti-ético falar assim dos outros? Não sei. Só sei que seu caráter erótico transpassa uma tela gélida de computador e eu gosto disso.
Eça De Queiroz, me entenderia bem.