
Estes dias estava pensando de onde vem a minha irritação com aparentemente tudo que se passa nos meus olhos. Fiquei seriamente pensando se fui uma criança irritadiça que quebrava brinquedos mas não consegui lembrar se fui ou não. Se a Sylvinha lembra-se de ter querido chocar ovos quando garota, e isso que caros eu nem vou citar a idade, é feio(ou seria bonito?), como eu com 16 anos na minha cara cheia de rugas de preocupação, não lembro? Só consigo lembrar de meus cabelos loiros naturais compridos e minha boca cheia de dentes pela metade.
A verdade é que tudo me irrita. Caras, teatro, boato, cinemas. Tudo, absolutamente tudo. Não consigo assistir filmes até o final porque minha constante impaciência não deixa. Em compensação escuto certas músicas até o vizinho (como já aconteceu, pasmem!) atirar uma pedra contra minha janela. Na época, pensei ser obra do Divino, avisando que eu não me atravesse a colocar Rita Pavone no último volume as 10 horas da noite.
A irritação começa apenas com o ato de ter que colocar o relógio para despertar as 6 da manhã e pelo fato de ter que viajar não na carona na boléia da Sula Miranda e sim num ônibus em que o motorista vive cobrando uma tal lasanha que minha vó fez para ele e que nunca mais foi esquecida.Depois ela piora cada vez mais, a cada vez que olho por trás de meu óculos Pierre Cardin para o quadro negro cheio de fórmulas trigonométricas. Vou aprender como se ganha na loteria sem perder a esportiva. Vida boa, seria estar no Caribe, ele e eu, eu e ele com um violão Elvis Presley cantando "E a fonte a cantar chuá chuá...." e não ser obrigada a ouvir Daniel e cia com seu pagode. Mas já que o Caribe está longe, montamos a nossa Polinésia Porto- Alegrense com direito a Netinho de Paula e seu pagode na Cohab. E um bom churrasquinho de gato.
A minha irritação termina com a Jade e eu cantando "se esse secador tivesse cabelo, ele usaria Neutrox!"