sábado, 8 de dezembro de 2007

As cucas e seu duplo sentido


Parece uma rosa, de longe é formosa. Sempre perfumada, cabelinho impecável. Acima do peso ( e quem se importa com isso, o que importa é um 10 no boletim!) mas a beca falava mais que todo seu corpo. Fazer os números entrarem em nossas cabeças era seu ideal. Ela chegava e numa espécie de reverência a rainha dos números racionais, irracionais e imaginários, nós sentávamos quietos, mudos e calados em nossas classes rabiscadas. Comecava a tortura para alguns e o deleite de outros. Uns bocejavam, outros pediam para sair e não voltavam mais. E nós ficamos escrevendo nas mesas comentários sobre sua pessoa, rindo discretamente, a honestidade nunca foi o nosso forte. Mas eu sempre muito detalhista que fui, não interessada num 10 no boletim como os outros, ficava avaliando o que uma senhora tão distinta estava fazendo ali. Sério, uma senhora super bonita, super tudo, do tipo daquelas mulheres que passa um vendaval e continuam as mesmas. E desses tipos eu conheci uma e as outras duas eu imagino que sejam assim. Como um dia ela mesma disse: "eu gosto muito do que faço...".

E assim passei o ano inteiro, procurando alguém que me remetesse a ela, ou alguém que pudesse lembrá-la, eu jurava de pés juntos que já tinha visto ela em algum lugar. As gurias riam e não davam crédito, uma rabugenta não merece ser ouvida. Fim de ano chegou e aí pum! Achei a pessoa que remete a ela, mas na parte do cabelo. É o cabelo da Cuca. Agora não terei mais um ano para passar as manhãs discorrendo sobre esta doce (como as cucas são) conhecidência. Mas a minha cuca original tenho a impressão que dissolve na boca e essa aí? Piff, é de engolir inteira para não sentir o gosto. Sinto muito, Cucas sabor chocolate continuam sendo as mais deliciosas. As de sabor frutas silvestres apodrecem.