
Dessa vez sai do cinema correndo, morrendo de medo de abrir o berreiro, como essas crianças mal educadas fazem por aí. Depois de ter recusado ver o filme com minha mãe por causa de uma noite infeliz na minha vida (mais uma delas...) finalmente eu fui ver. Eu, toda orgulhosa com o ingresso na mão, agradacendo a gentileza do porteiro de me abrir a porta, observando com o canto do olho as senhoras pensando "ela vai ver esse filme? como assim, amiga?". Entrei na sala, sentei e esperei. As margens das poltronas, eu bem sentada, esperando a hora certeira de começar a me emocionar. Cinco minutos. Mais uns quinze, cadê essa mulher? Sim, ela apareceu. E quer sair da tela. Meu coração pulsa mais forte, sensações que não aconteciam desde que me recusei terminantemente a assumir minhas emoções em público. E daí? Estava escuro e eu poderia me expressar o quanto eu quisesse. Desafinadamente canto as músicas, ninguém ouve meu lamento, só eu.
Eis que as primeiras lágrimas começam a brotar. Droga. Não faria nada para segurá-las, aposto que os outros estavam na mesma situação que eu. Edith estava ali, mas quem eu via projetada na tela, em cinemascope brilhante não era ela. Como um desses seres inexistentes, lendarios, tipo Garbo, entendem? E me rasguei junto com ela, joguei as lembranças fora, as varri e não estou pronta para recomeçar do zero. Um Romeu e uma Julieta do século passado, um hino ao amor. É mágico quando você sente que não é tão gelado, a essas alturas eu estava mais para picolé congelado. Só estou varrendo as coisas eternamente, jogando-as embaixo do tapete, ninguém quer poeira dentro de casa né? Conclui que para fazer isso, sou uma grande artista. Mas é só porque estou de salto alto. Ave Edith!
ps: as mãos de Edith são lindas.