quinta-feira, 19 de julho de 2007

Leve para o alto toda minha vida, meu aeroplano


Como eu lia na coluna do segundo caderno da zero hora, dizia que voar era como um sonho. E pra mim, a concepção desse colunista sobre voar, era igual a que eu tinha. Sempre via aqueles filmes, os clipes musicais em que o avião tinha uma metáfora de liberdade, de sonhos indo para o alto, sonhos realizados. E quando viajei pra Sampa, essa sensação tomou conta de mim, eu via tudo de cima, parecia que o mundo estava aos meus pés e ao chegar em Sampa, pensei nuito na frase da Vanusa que agora não vem ao caso. Mas terça feira, as coisas tomaram um outro sentido e a palavra voar se transformou num sinônimo de morte, de choros, de soluços.

Na hora não me dei conta da dimensão do acidente. Afinal as coisas estavam aparentemente longe de mim. Mas hoje, hoje sim. Abri o jornal e li palavra por palavra e de repente percebi que meus óculos estavam molhados de lágrimas. E chorei. Chorei muito. Pensei se algum familiar meu estivesse no vôo, pensei nas vítimas. Li cada quadrinho e deu uma tristeza maior ainda, tantos sonhos destruidos.Puro egoísmo, eu aqui feliz com meu cartão de aniversário, enquanto outros choram a perda dos entes queridos.

"Vira, vira, vira agora!" Essa frase tá ecoando na minha memória. E isso só nos faz lembrar que a morte existe minha gente. E ela está aí. Mais próxima do que a gente imagina.