
Eu quis cantar minha canção iluminada, não de sol e sim de desejo.Regada de vontade, para os leigos. Lá fora um batalhão de pessoas imprestáveis nos esperando, mas agora preciso viver este momento,aproveitar quando as luzes se apagam e os rostos se tornam ocultos pelo escuro.Tanta coisa que eu preciso te dizer, preciso te falar com impessoalidade que não permite os "falar-te, dizer-te", somente o "fazer-me".
Nem um toque, você está separado de mim por algumas cadeiras. E naquele"tira e bota" de casaco, tento disfarçar meus sentimentos ocultos. Seguroa mão de uma garota aleatória, aperto com toda minha força. Abro a bolsa,cato alguns chicletes, passo batom na boca (estou pálida de tanto que vocême olha) numa tentativa frustrada de pensar em outras coisas, mas não consigo.Meu desejo e sina são mais fortes que o som altíssimo que atravessa meus ouvidos.Te encarando de frente, as palavras chaves saem como vômito de minha boca.Teu olhar desvia, mas já sabe que é tarde para esse tipo de coisa. Sorri para mim,cheio de vontade de sentar-se ao meu lado, entrelaçar teu braço na minha cintura e enroscar-se no meu corpo, numa espécie de preliminar pública.
O tempo vai passando e finalmente a tua vontade é mais forte que o medo dos comentáriosalheios, quando dou por mim, você está ali sentado do meu lado.Dou graças a Deusmentalmente. Começo a me sentir cansada demais para aquelas enrolações. Vamos dormirmeu amor? Não, ainda temos que encarar os insuportáveis,lembra? Verdade... vou esperaraté as três da manhã para ouvir os rufares dos tambores da minha cabeça. Nem um toquee eu sonhando com você. Meu olhar procura o teu, mais uma vez. Não posso me conter.