quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Replay Cotidiano


De repente um silêncio tomou conta do burburinho comum das segundas feiras. Um grito agoniado atravessou o tímpano de todos os presentes daquela ridícula cena tipicamente brasileira. Hey menina, grite mais alto para que possamos ouvir o chamado de quem não tem mais nada para comer e tem as mãos calejadas de tanto carregar sacolas cheias de quinquinlharias. Ei, meliantes que estão passando, parem de fazer comentários pelas costas dos outros, é feio, ela irá meter- te a mão! Os chocolates agora têm sabor de morte.Alguém por favor, tire a menina do recinto. Se as coisas erradas de repente tornaram-se certas por chegarem ao ponto extremo, a culpa é de quem então? Todos limpando suas
roupinhas da liquidação, praguejando o governo por não cuidar dessa "gentinha" que fica roubando chocolate das Lojas Americanas.
De repente, a menina maltrapilha sai correndo deixando para trás a possível prova do crime. Sua mãe tenta fugir junto, mas é puxada por 2 king kong's das Americanas. Mais choro, mais gritos.E todos assistindo aquela cena mortificados, concluindo que são completamente inúteis a esta realidade que está longe dos nossos olhos. O nosso "ouro de tolo" é pensar que ligar para o TeleTom ( não liguei pela tremenda falta de dinheiro, mas confesso que fiquei tentada quando os olhos verdes de Ronnie Von pediram pra eu doar) é estar fazendo algo a mais pelo país, sendo que lá no fundo do fundo sabemos que usamos nem 1% da nossa capacidade animal. Colocar comida na boca dos outros, é muito fácil. Mas o difícil é arranjar um tempo do nosso "longo" dia para enxergar o que é noticiado no jornal da noite está muito mais perto que a gente imagina.
Enquanto morro de saudades do Laje De Pedra, outros morrem de saudade de ver a consistência do arroz e feijão. Quem sabe do gosto de uma droga maldita.Meu problema dentário era apenas uma idiotice de alguém que tem tudo e não sabe nem cuidar do que repousa dentro de sua boca. Imagine quem não tem nada.... Ah mas que sujeitinha chata eu sou, discorrendo sobre os problemas do mundo, dos quais eu passei a vida inteira achando que eram culpa de quem morreu antes de mim. A roda da fortuna como sempre atropelando tudo e todos.E que algum dia as crianças cantem livres sobre os muros, sem suas mães gritando e as humilhando por não ter condições de alimentar a mesma.