quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Os anos contemporâneos na Paris imaginária


Era uma vez uma cidade que voltou a ser colorida, a Paris Brasileira. Porto Alegre, minha Paris brasileira. Sentimentalíssima, agora ler os poemas pendurados na janela do ônibus tornou-se muito mais divertido do que outrora. E porque essa vontade imensa de ir tomar um café na Saraiva? E porque não existem mais acordeons na Rua Da Praia? Existem apenas aqueles imaginários, de minha cabeça que tocam quando estou voltando para a casa, embalando meu sono nos ombros alheios.

O nome de todas essas sensações se chama: Edith Piaf. Porque sempre temos a tendência de amar o que está morto ou longe do toque de nossas mãos? Enquanto enfiavam gengiva a baixo a tal da xilocaína, minha mãe e a dentista conversavam sobre sair do país e viver em outro. A ideía sempre me atraiu, as vezes sinto-me mais européia do que brasileira. Não porque o hino da França seja mais bonito que o nosso ( Mireille Mathieu cantando La Marseillaise, me digam o que é isso?) e nem porque a cidade é bonita ou romântica. Não sei explicar ao certo. Mas quero conhecer todas essas coisas antes que a torre caia. E só me restará visitar os túmulos da Mireille, Charles Aznavour e a turma dos erres rasgados.

Já as outras sensações foram desencadeadas de uma certa saliva que não quer sair de minha boca, de um alisamento de coxas que cada dia mais impregna-se nas mesmas. Foi um gosto de cigarro que ficou na minha mente. Eu, muito patética, acho isso o máximo. Hey boy, vamos passear pela nossa Rua Augusta porto alegrense, com a nosso carango envenado! Eduardo e Silvinha do século XXI, mas estamos mais apenas para Eduardo, a Silvinha soa como uma piada aos nossos comportamentos transviados. As cuba libres geladas no bar do Sérgio, ao som de um revival anos 60, agora é moda né? E um Syd Barrett lá no fundo, nos observando com seus olhos lisérgicos.

A minha missão que foi me dada neste mundo, foi endireitar brotos como você, que além de devorar maços de cigarros em questao de segundos, acham que o Cash é foda e querem seguir a vida junkie. E como a mina está gamada, hey boy, ela pretende seguir os conselhos de Lady Araújo, a especialista em transformar a água no vinho.