sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Ninguém = ninguém


Teu modesto corpo movendo-se com elegância, as botas em teus pés enormes e esse teu cabelo escorrido denotando um cuidado especial. Te via assim naquela noite mágica e especial nas nossas vidas. Você ali fazendo parte de momentos que as fotos não podem registrar, aqueles que iremos contar pros nossos netos comendo maçãs e barrinhas de cereal (será?). Mas de repente... algo diferente tomou conta do meu corpo e passei a olhar pra ti com uma crescente revolta, sentimento que minha analista de manhãs disse que era extremamente normal na situação .Queria cavar um buraco e esconder-me com vergonha do drama que eu fazia, por alguns elogios. Como se eu precisasse todos os dias ser elogiada para sentir-me segura. Há muitas formas de se ver o mesmo quadro e eu me via como o quadro do pânico no pintor não lembro o nome. Em pânico por estar sentindo ciúmes e parecia que quanto mais ria, mais dava para ver isto. O que eu podia fazer se achava que os elogios deveriam ser remetidos a mim, somente a mim? Porque eu achava que você era coadjuvante e eu a estrela (Norma Desmond me afetou)?
Então as perguntas começaram a pipocar em minha cabeça e enquanto a noite ia se arrastando, ia me sentindo cada vez mais inferior. Não tenho dentes brancos, os meus são amarelos e manchados de tártaro. Não sou alta, se ATÉ a Carmen Miranda era mais alta que eu! Minha pele é retrato da minha adolescência e já apresenta linhas de expressão abaixo das pálpebras. E claro, os números da idade nunca são os que realmente são.Os outros pareciam perfeitos demais perto de mim. Mas consegui driblar minha insegurança sempre constante como uma lei da física e segui a noite com ela, minha companheira de momentos bons e ruins.
Ninguém é igual a ninguém, eu dizia para mim mesma. Nós duas somos tão desiguais como água e vinho. Mas conseguimos nos dissolver, não somos água e óleo. Queria pedir milhões de desculpas, você não merece esse tipo de pensamento, vindo de mim ainda por cima. Eu vou te chamar de amiga até o para sempre, aquela que estava consolando-me em meio a crepes engordurados, na peregrinação em busca da nossa "galinha dos ovos de jovem guarda" e que todos os dias mostra seu sorriso mais brando para mim. Te admiro e não vou esconder que gostaria de ter essa tua descrição ( escândalo não é o teu forte, mas o meu sim) e essa tua qualidade de estar calada. Infelizmente não calo a boca um segundo, mas sinto que se não fosse assim, não seria a Jessica Bandeira que eu te disse que somente agora depois de tantos anos eu estou sendo. Concluo que não poderia ser como você, senão a Jessica não existiria. Quem sabe na próxima encarnação não?