
Amanhã estarei pensando em como seria bom estar aí contigo no meio das árvores verdejantes, numa possível comemoração em meio a bolos e salgadinhos e parabéns calorosos. Mas o que eu tenho para dizer-te teria que ser muito longe dos olhares afoitos das outras pessoas, que ainda insistem em achar algum grau de parentesco entre nós.
Então me calo. Gosto de ouvir tua voz. Tuas cordas vocais em perfeita vibração, que mudaram minha vida e que agora estão ocultas por um pedaço de músculo, mas eu consigo vê-las por trás de todas as camadas epiteliais. E nesta hora é como se eu fizesse parte de um outro mundo, aonde se sai pela rua e pode-se escutar ao longe o som dos violinos, um mundo de beijos e abraços, de olhares apaixonados e coisas que até hoje depois de tantos anos, me fazem chorar.
Obrigada, muito obrigada por existir. Talvez essa seria a frase que poderia resumir tudo, um pedido de agradecimento e que você nunca deixe de existir, embora eu sei que isso é impossível. E antes que isso aconteca, terei desvendado esse mistério, esse segredo e secreta mirada que é você. Ah.. e quando eu te vejo, é como se o mundo estivesse sendo embalado numa rede, tudo pára ao meu redor, para ver-te passar. A guria de Minas Gerais, que Tom Jobim não teve o prazer de conhecer, mas eu sim. E que serve de inspiração não só para mim, mas para outros que atiram-se em teus pés, implorando por um pedaço de papel que tenha algum rabisco de você. E isso eu também tenho, guardado as devidas proporçoes nas lembranças e gavetas empoeiradas.
E como diria Elis Regina: é, só tinha que ser com você. Não imagino outra pessoa a quem eu vá chamar dos mais variados apelidos (mamys, lembra-se?há há) e que vai chamar-me de bonequinha, gatinha e afins sem eu achar saido de uma canção brega-melodramática do Waldick Soriano.E é, como você mesmo disse: parece que nos conhecemos a anos. Seria alguma vida passada ou coisa assim? Não sei, mas sei que contigo aprendi os segredos de Saint Germain, da chama violeta e daria tudo que existe de mais valioso para mim nesta vida para poder reaprender tudo, só para estar perto de ti. E como nós, minha rica não existem. Na verdade, como você. Apenas sou um instrumento digno da tua admiração, talvez.Pavone foi muito precisa quando disse "come te non'ce nessuno, tu sei unico al mondo". E papos ao telefone completamente fora dos padroes normais, desde piercings que iriam parecer um índio dos charruas até assuntos como "ai deus, eu estou sem namorado e agora?". Tenho sincopes de riso só de lembrar.
E pra ti, a guria de Minas a quem eu remeto este texto, talvez não saiba que cheira a perfume de flor de maracujá misturado com algumas poesias de Vinicius De Morais. Teu olhar emana uma calma imensa, descrita em alguns clássicos bossa-novistas. E em qualquer lugar que estejas ninguém sentirá e descreverá como sinto-me contigo. Sim, isto é o monopólio da minha origem portuguesa, que te quer apenas e exclusivamente para fins relacionados a mim. Mas não te preocupes, a sociedade ensinou-me a dividir as coisas, ainda que eu tenha um traço totalitarista no fundo da alma.
Quando escreveram "desesperadamente eu vou te amar, em cada despedida eu vou te amar..." eu achava que não fazia sentido. E agora posso ver nas entrelinhas o que quer dizer. Irei ser pretenciosa no que vou dizer agora: os autores escreveram para eu, embora não saibam disso. Essa é a típica música que pode dizer o que eu ensaio para dizer-te, mas teus ouvidos atentos as passagens de som não escutam. Feliz aniversário, Senhora Pseudo-Má, tão parecida com Lily-Madame Arnoux-Arlette do livro de Mario Vargas Llosa. Amo você, para sempre, e não será enquanto durar, é o pra sempre do pra sempre, aquele sério, que a gente só diz para os nossos pais e parentes mais queridos.